quarta-feira, 2 de abril de 2008

Guardo minhas palavras.

"Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem."(Mateus 7 :6)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Espaços intradigitais vazios
ausência de outras mãos

A morfologia da solidão fez-se:

quatro espaços vazios em cada mão e, ainda que pares, ímpares.


Alianças adornam o dedo
nunca os espaços vazios
(seria mesmo um sinal de evolução ter uma lacuna não preenchida a mais?)

Ainda assim, contra o que se espera dos homens, foram-me dadas duas mãos



Para que eu não me esqueça que é sem volta.



Imagem: David Ho

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Apócrifos, Das cartas não enviadas: Taxi

30 de abril de 2007.





Lá se foi você. (Denovo). Dobrou a esquina e seguiu num rumo que já não sei mais. O que sei é que tem areia entre meus dedos e esse sentimento tão raro, que não sabe ser escasso e que não cessa, decidiu fincar os pés aqui dentro de mim.

Único por não saber dizê-lo. Tento comparar, usar figuras de linguagem sempre tão batidas, tento dar nós em fios que sequer consigo segurar entre os dedos. Depois?

Depois continua aqui. Essa coisa imensa e sem nome que penso ser mar, se não fosse também terra firme (ou fofa, onde afundam meus pés). Que eu penso ser mar, se não fosse antes de todas as cores. Que eu penso ser mar, se já não fosse há muito (dentro de mim e maior que eu).

Lá se foi você dobrando a esquina, num carro estranho que tem uma plaquinha brilhante, onde com letras verdes está escrita uma palavra que em algum dialeto muito, muito antigo deve significar "arrancar pedaços".

Apócrifos, das cartas interminadas: Lençóis



e no fim...




Da minha janela posso ver uma nesga de céu laranja. Dizem que noites assim são noites de chuva, mas o vento que sopra é só frio e não me traz uma gota d'agua sequer.
Posso ouvir num ponto distante fora do meu quarto uma televisão ligada, sintonizada num daqueles programas de madrugada, e um silêncio se arrastando entre os casais que dividem a mesma cama. Falta-me o sono.
Me pergunto quantas pessoas estão, como eu agora, olhando o céu laranja que se abre em buracos cor de chumbo quando faltam nuvens.
Meus pés passeiam por entre os lençóis.
Deslumbra-me a pouca luz que cai sobre mim. Será que o céu é laranja porque reflete a luz dos postes? Se for assim, alimento o desejo de uma queda de energia. Só pra descobrir a verdadeira cor do céu. E ver as tais estrelas que a luz esconde.




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Nesses apócrifos colocarei trechos ou cartas inteiras não enviadas. Ou ainda textos não concluídos ou que mereciam a fogueira.



Qualquer Deja Vu é mera vontade do 'ter sido'.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Das Ilhas e Tardes perdidas.

Pensando bem, se me fizessem aquela velha pergunta "O que você levaria para uma ilha deserta"? Eu responderia: uma Tv que sintonizasse a sessão da tarde. Daria eu a sorte de assistir "O Naufrago" ou "A Lagoa azul" e aprender a sobreviver?

Espero que sim. Ou teria o tédio como causas mortis.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Sobre as conchas da mão




"Toma o amor guardado entre as conchas da minha mão. Dentro delas ouvi as ondas quebrando-se em pedras e o espetáculo de um pequeno musgo nascido à beira de um raio de sol. Dentro delas, ouvi a terra aninhando sementes e plantas entrelaçando a ponta de suas raízes. Finas raízes tentando sustentar o mundo sob as placas de cimento. As placas de cimento, de onde germinam as casas e crescem as pessoas, entrelaçando a ponta de seus braços e o mais fundo de seus corpos pela noite escura. Dentro delas, ouvi o mundo inteiro tentando ser par...
e ouvi a ponta de tuas asas tocando minhas costas nuas, teu instrumento
de cordas e suspiros profundos. "
Texto: Rita Apoena
Imagem: Minha

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Apócrifos, das cartas interminadas:O sino do ventos.

Fortaleza, 2 de Setembro de 2007.
L.,





Quanto tempo faz? Tanto e tão pouco, (E entre nós ainda se estende um antigo silêncio. Muito antes de nós). É como se dedilhássemos no ar ideias ancestrais, que se misturam e se perdem nas voltas do tempo. quais as minhas? Quais as suas?
Ao mesmo tempo que me perco em ti, te estranho como estranho a todos. Te estanho como se em estranhasse: Em atos simples do "desconhecer". (Não reconheço minha própria letra. Mas minhas mãos são irmãs das tuas).





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Nesses apócrifos colocarei trechos ou cartas inteiras não enviadas. Ou ainda textos não concluídos ou que mereciam a fogueira.


Qualquer Deja Vu é mera vontade do 'ter sido'.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Banho de Sol

Atravessava o jardim e ia beirar o pequeno portão de ferro. Lá vinha o dia chegando por detrás dos telhados. Doralice a ajeitava no balanço do jardim e colocava seu pequeno chapéu na cabeça com poucos fios de cabelo. Banho de sol. Uma víbora branca subindo a parede. A grama ainda encharcada do orvalho da madrugada, quando as fadas dançavam no jardim.
Fadas, sim. Já era tempo de acreditar nas fadas e nos duendes ou quem qualquer coisa que lhe contassem sobre seres mágicos. Baile de flores duravam a noite inteira e não existia outro motivo para que amanhecessem fechadas.
Doralice veio calçar-lhe as meias claras.
-Ana, não fique olhando assim para o sol. Vai fazer mal à sua vista. Sente direito. Vou buscar seu leite.
Esperou Doralice cruzar a porta da cozinha e tirou as meias. Pés no chão. Ana. Ana e as borboletas. As e as folhas secas. Ana e o cheiro de jambo. O chão coberto de rosa. Ana e o ferrolho do portão. Ana e o chapéu que caiu no caminho. Ana e seu primeiro passeio. Primeiro sozinha naquele novo bairro. Ana e os pés no asfalto. Ana e seu banho de sol. Ana e o carro de seu Jaime que não a viu atravessando a rua. Ana e seus 82 anos. Ana e o gosto de ferro na boca. Ana e o rosto no asfalto. Formiguinhas. Ana. Ana e Aninha.
E naquela noite as flores fizeram um grande baile.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Um dia acordarás num quarto novo.

"Um dia acordarás num quarto novo
Sem saber como foste para lá
E as vestes que acharás ao pé do leito
De täo estranhas te farão pasmar,
A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás...
Hás de tocar, a medo, a campainha
E, silenciosa, a porta se abrirá.

E um ser, que nunca viste, em um sorriso
Triste, te abraçará com seu maior carinho
E há de dizer-te para o teu assombro:
- Não te assustes de mim, que sofro há tanto!
Quero chorar - apenas - no teu ombro
E devorar teus olhos, meu amor..."

Hoje eu acordei num quarto novo com uma janela duas vezes maior que a minha. E uma cama de casal ao invés da minha antiga cama de solteiro. A luz que entrava pelas venezianas era duas vezes mais luz e ali ao meu lado estavam 4 travesseiro.Na estante, o Quintana e seu Espelho mágico justificavam a dobradura das coisas.

Hoje o quarto da minha mãe é meu quarto. Me sinto duas vezes mais velha.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sonhos no varal. Porto das Núvens Julho de 2007.


Com um pouco de calma, quem sabe, é possível ver clareza nas coisas.
Nas coisas claras de Clara, que dança uma valsa entre as roupas estendidas no varal. Uma reverência ao terno velho que já vai ao terceiro ou quarto carnaval e um rodopio majestoso entre o vestido florido e a toalha de mesa.
Pois tudo é Clareza. Até o par de meias encardido do uso ou desuso se faz alvo, contrastando com a cinza do dia e das quartas-feiras.
E Clara, com seus claros e escuros, segue o bloco imaginário despida de fantasias. Entre a multidão de roupas estendidas quer ser a mesma, sem paetês, lantejoulada de breu,
alegoria de tardes inteiras.
Até findar o cordão.


"Angústia, solidão
Um triste adeus em cada mão
Lá vai meu bloco vai
Só desse jeito é que ele sai
Na frente sigo eu
Levo o estandarte de um amor
Do amor que se perdeu num carnaval
Lá vai o bloco e lá vou eu também
Mais uma vez sem ter ninguém
No sábado, domingo, segunda
E terça-feira...
E quarta-feira vem o ano inteiro
É sempre assim
Por isso quando eu passar
Batam palmas pra mim"

terça-feira, 22 de maio de 2007

Seis e vinte.

Se eu costurasse os pedaços desses dias, se eu conseguisse emendar com o fio da sonolência todos esses retalhos talvez eu conseguisse tecer um belo lençol para me cobrir. É que o sol tem brilhado sempre, e sempre existem coisas novas e coisas antigas. E as pessoas vem e vão e algumas (e isso é segredo) flutuam. Outras caem de ônibus.
Mas hoje eu quero ficar na cama. Quero fingir que eu estou dormindo só para ouvir quietinha o dia acontecendo:
O bule assobiando, os toc-tocs nos degrais da escada, as primeiras vassouradas na calçada...
"Me deixa aqui hoje, me deixa? Eu não quero ir para a escola hoje. Eu não quero colar palitos de picolé e fazer o contorno da minha mão de amarelo. Não, eu não sei amarrar os cadarços ainda. Não ria de mim por isso. Promete que não vai demorar para vir me buscar mais tarde, promete? Às vezes fico só eu e o porteiro e o resto do meu lanche (que eu nunca como todo pq eu sei que você vai se atrasar e eu vou ficar como fome). Por favor, me deixa ficar em casa. Eu tô com Febre! Se não estou eu vou ficar."

Eu tive que aprender a esperar desde bem cedo.

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"A billion people died on the news tonight
But not so many cried at the terrible sight
Well mama said
It's just make believe
You can't believe everything you see
So baby close your eyes to the lullabies
On the news tonight..."

domingo, 13 de maio de 2007

Fortaleza velozcidade






















Estação da luz
Nos borrões das seis da noite
desenhos no asfalto
Num teatro de arena um monologo estático
[de uma estátua patética .

E continua o balé engarrafado.


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A Praça M.Dias Branco, mais conhecida como rotatória ou matadouro, fica logo no início da Av. Aguanambi. A praça permanece praticamente intacta, já que ninguém vai lá. O seu único habitante é uma estátua de pedra. O espaço tem se tornado uma verdadeira úlcera para motoristas que precisam voltar para casa passando por lá.
E eis o que diz o seu arquiteto:

"De acordo com Sérgio Rodrigues, após a finalização da obra, a praça será um espaço para a realização de movimentos culturais, como a apresentação de corais. "A praça não poderia deixar de ter uma utilidade". Para isso, segundo ele, o espaço ganhará também um coreto e dois quiosques, em metal, e 32 bancos de madeira. O arquiteto também ressaltou o fato da praça possuir segurança 24 horas e um contrato de conservação, ambos financiados pelo grupo M. Dias Branco."

Um total de 97 acidentes foi registrado em 2005 nas proximidades da rotatória. Houve uma morte, 12 feridos e 84 pessoas saíram sem ferimentos. Do total, aconteceram dois atropelamentos. Eis a útilidade.

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Ah, Fortaleza.
Ah, Veloz cidade.
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terça-feira, 8 de maio de 2007

Geometria Sartreana

Definição:

Um plano é um subconjunto do espaço vazio de
tal modo que quaisquer dois pontos inexistêntes
desse conjunto possam ser ligados por um segmento
de reta inteiramente contido no conjunto vazio.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Fortaleza Bélica


Eu vou te esquecer em Paris.


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Poema-Pílula dedicado ao Henrique e a Carmélia Aragão :P

terça-feira, 10 de abril de 2007

Erik Satie (ou o homem dos doze ternos de veludo)


9 km até um café em Monmarte. E se irritava quando as pessoas paravam para ouvi-lo tocar o piano.
O que ele queria era música-mobília.

- Não parem de falar! Façam alguma coisa, mexam-se!

Foi mais um dos incompreendidos. Colecionava guarda-chuvas e cachecóis. Pediu Suzanne Valadon em casamento no primeiro dia. Tinha mania de comida branca.Criou sua própria igreja e excomungava todos que discordassem dele. Mas esses pequenos absurdos (para os outros) não incomodavam tanto o resto do mundo como a sua música.
Satie era subversivo, irritante! Um pianista que compunha músicas de 51 segundos era realmente uma ofensa. Os críticos argumentavam que seu minimalismo era resultado da incompetência: Fora resistente aos estudos clássicos de piano.
Colocava em suas partituras instruções de interpretações do tipo "Pense sobre você mesmo", "Questionando", "Sem Orgulho", "Passo a Passo", além de nomear seus trabalhos com nomes quase ridículos como
Chilled Pieces, Drivelling Preludes (for a Dog), Dried up Embryos ...
E ele, como é de se esperar, morreu. E onde está Erik Satie? Quem o conhece? Ele que influenciou Debussy, Ravel, Picasso. Ele que combateu o romantismo musical. Ele que usou pela primeira vez o termo surrealismo. Ele que, Por Deus, criou as Gymnopédias e a música ambiental!
Hoje ele se resume a doze ternos de veludo cinza. E está aqui dentro, compreendendo como ninguém o que eu quis dizer com "silêncios entre um acorde e outro".

domingo, 18 de março de 2007

A grande sinceridade

A grande. A assustadora.Que me vem como que para lembrar o que sem saber esqueci.À Grande Sinceridade caberia uma analogia com o vento, se não fosse ela mais que ventania. Arranca-me os telhados e viola as portas que eu queria acreditar invioláveis. E diferente do vento A Grande Sinceridade vem de dentro e não de fora. E vem de fora também , ou talvez algo fora à chame, como um assobio de sentindo. É a mesma Grande Sinceridade que me faz assumir agora a preguiça de chama-la pelo nome completo e render-me ao desejo de chama-la de Ela, simplesmente. É ela ainda que em paradoxo amordaça-se. Em paradoxo faz com que eu meça cada centímetro do dito e do não dito. Ela precisa de aprovação. Vive disso. E ela que assusta também tem medo: Medo de ser antiga mesmo que nova, medo de ser clichê. Ela é sempre submetida a pesadas críticas e análises mesmo sendo em si a sinceridade. O grande soluço. A implosão que vive na iminência de explodir e para isso é necessário muito pouco.Ela me acorda em certos dias enquanto de um ponto a outro: O grande soluço da memória. Seguido de medo medo medo medo medo. E depois se deita aliviada para mais tarde me acordar em sobressalto novamente.A Grande Sinceridade vive em mim, e não paga aluguel, e não sabe gramática e não cabe nas letras.A grande Sinceridade vive em mim. E não se chama Jamile. A grande Sinceridade morre em mim e eu ando por aí como alguém que tem soluço crônico. E espaçado.

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Coloquei esse texto aqui porquê pretendo deletar o outro blog. Acho que a única coisa que vale a pena guardar é esse texto.

Cortinas




















Eu sou ausência.
Com mãos pequenas eu tento segurar todos os
fios de uma teia que se desfaz:
10 dedos, Oito patas devidamente articulados para sobrevivência.


Eu sou ausência.
Dessa ausência teço meus fios: Dos silêncios e Esperas.
Do que assisto em segredo. Do escuro dos cantos. Das pequenas formigas que me alimentam.
Das janelas abertas uma vez por semana.


E me repito: Eu sou ausência.
Há muito não visitam a minha teia. Nem vermes nem borboletas.
Continuo a tecer fios (Dos telefones. Dos trilhos de trem).


Eu sou ausência.
Logo eu que jamais romperia casulos (Darwin, Mendel e Rousseau também não poderiam)
Me fiz asas e não volto mais.


Eu sou ausência:
O que restam são só teias.
E ainda assim temem as criaturas.
Temem o que se fez ausente.




Conchas. Casulos. Colméias.Apartamentos.




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O objeto não toca a imagem. Jamais.

terça-feira, 13 de março de 2007

"numa dessas noites tudo vai embora..."

Quando a brasa que não apaga e não incendeia solta faíscas
Suspeito que talvez essa vida que tenho chamado latente
seja na verdade latejante.

(até a dormência)




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Em breve escreverei mais, mesmo que tolices.

terça-feira, 6 de março de 2007

Não amarás.

só pra constar:
não tão impossivel assim.

Acabei achando o tal filme do Krzysztof Kieslowski que eu quis
muito assistir numa noite dessas. E é realmente um bom filme.

Agora eu tenho um pedacinho a mais. :)

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Beirut, por assim dizer...


Foi o Bruno que achou e mostrou pro Ary que me mostrou. Agora eu faço barulho. Ou melhor, calo.O barulho eu deixo para eles.

Beirut, por assim não dizer.

Sei pouco. Sei o que li e o que lí é sempre muito igual: 12 músicos, de trompete a bandolins, influências de música cigana dos Balcãs e Folk Rock.
Eu nunca ouvi musica cigana Balcã, meu Deus.
Mas ouvi Beirut. E não acho que é a melhor banda do ano ou que vai mudar a vida de todo mundo. Mas experimenta colocar "Elephant Gun" pra tocar e me diz se você consegue evitar o "reapet". E não ficar louco atrás da letra e nada da letra e nada de parar de ouvir.
O som deles pra mim lembra viagem na janela. Viagem e bucolismo. O vocal me lembra o Morrissey. O som é saudade. (pra mim, ao menos).
às vezes é deliciosamente desarmônico.
E você vai pra cama com os primeiro versinho de elephant gun na cabeça. E fica cantando. Nem foi só comigo! Eu vi o Bruno fazendo o mesmo.
Depois vi a capa do album: é viagem na janela, mesmo. E bucolismo.




Beirut, por assim tentar dizer.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Construção-fóssil

Acharam um novo dinossauro.
Em breve terá um nome.
Depois? Palitó, gravata e seriado de tv.


E o mundo continua fazendo com o entulho, tijolos.

sábado, 28 de outubro de 2006

...E é então que o tal Deus se deixa ser mulher
e entre as pernas do mundo escorrem em vermelhas nuvens o abortado sol. Posted by Picasa

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Esferismo

Queda livre
aos montes
(objetivo comum)
O mundo refletido em microesferas (esparramou-se)

e
s
corre

E volta ao princípio.

domingo, 22 de outubro de 2006

Clarice

No mistério o medo. No medo a curiosidade. Na curiosidade, desejo. No desejo? É como aquelas bonequinhas que cabem uma dentro de outra dentro de outra e outra e outra outra...Qual era mesmo o nome? Ah! Clarice...Não das bonequinhas mas da menina que as possuía: Clarice era como gaveta trancada em quarto de avó.
Era em passos pequenos, quase saltinhos de amarelinha sem riscos no chão, que Clarice menina brincava com os moleques de Amaralina. A-ma-ra-li-na. Uma daquelas cidades pequenas com as mesmas coisas que tem em toda cidadezinha: Moleque descalço, mulher de janela, jardim de sonho e ciranda, balão de são João, são José, são qualquer, são.
E a menina morena Clarice, pequena no sei jeito de não ser quase ninguém, fez com os moleques meninos caminhos de fruta e passarinho: Estilingue, calango, soim. Quintal do mundo (o mundo todo). Não por isso menos moça...Não por isso menos mulher: ainda quando os seios nem ousavam o despontar, quando entre menino e menina não havia diferença, Clarice jamais quis se despir entre os meninos e os peixes.
Feito matinho que vira roseira, Clarice menina virou moça de botões fechados: na gola e no punho. E não era de criação a seu recato de novena, igreja, procissão: De cabelos presos e pernas cobertas, rezava ladainhas... Que eram também dos rapazes, que repetiam como oração: "Que mistério tem Clarice?, que mistério tem Clarice? Pra guardar-se assim tão firme no coração?"
E guardou-se, Resguardou-se: A moça brotou mulher. Clarice fez-se penitente e dentro da noite escorrida açoitava, o que não sabia ela, era inocência.
Tem que um dia amanheceu e com ele Clarice, no cais, assistiu o meu barco se afastar de Amaralina. Destemperadamente linda, aos soluços, Clarice despiu-se como se o vestido sobre ela fosse só outra bonequinha que lhe cobria o corpo moreno.
Permaneceu em todo adeus chorando nua, para que eu lhe tivesse toda, todo tempo em que existisse. E choraria até que todo amor sumisse e seu corpo expirasse e seu pranto à extinguisse. A procissão repetia a ladainha: "Que mistério tem Clarice?, que mistério tem Clarice? Pra guardar-se assim tão firme no coração?"
Quando o dia fez-se noite e a noite fez-se anos, o mar fez de Clarice estátua de sal. Mais que história, fez-se lenda: entre os meninos e os peixes, guardados em uma caixinha que fica dentro d'outra caixa, escondida no armário da minha memória de Marinheiro do Tempo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

A Jornada

A consignment of thousands of rubber ducks is expected to wash up any day on the coast of New England - after more than a decade at sea.

Rubber ducks
Thousands of rubber ducks floated across three oceans over 11 years
The ducks - along with other bathtub toys like beavers, turtles and frogs - fell overboard from a container ship en route from China to Seattle during a storm in 1992.

During the ducks' long voyage through three oceans, scientists have tracked their progress - and say it has taught them valuable lessons about surface currents.

"The ducks went around the North Pacific in three years - all the way from the spill site to Alaska, over to Japan and back to North America," said Curtis Ebbesmeyer, a retired oceanographer based in Seattle.

"This was twice as fast as the water at the surface - so I began to call them hyper-ducks."

The floating ducks are expected to wash up battered and bleached by their journey through the waters of the Arctic, the Pacific and Atlantic Oceans.

After falling overboard near the 45th parallel 11 years ago, the ducks floated along the Alaskan coast, reaching the Bering Strait in 1995.

It is thought they were trapped by slow moving ice for several years - it took them until 2000 to reach the Atlantic ocean.

A year later, they were tracked in the area of the north Atlantic where the Titanic sank.

During their voyage, some of the ducks broke away - and headed for Europe - others have surfaced in Hawaii.

The ducks were among 350 containers which rolled off a ship in high seas - environmentalists are now trying to use their amazing journey to highlight the problem of overboard cargo.

As many as 10,000 containers fall off ships every year, causing hazards for shipping and for marine life.

Ebbesmeyer recently tracked the movement of 34,000 ice hockey gloves lost at sea.

He regularly gets reports on Nike trainers washing up on coasts. He has even worked out the path taken across the world's waters by a dead body in a survival suit.

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E meu coração continua esperando sua chegada, para sempre.

sábado, 14 de outubro de 2006

Um amor pianinho

Você me beija tão jazz
e te respondo blues que já não sei mais se te quero
em dó menor
nosso problema, baby, é bossa nova.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

"O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.

    O que há é pouca gente para dar por isso.

    óóóó---óóóóóó óóó---óóóóóóó óóóóóóóó

    (O vento lá fora.)"

    Álvaro de Campos, 15-1-1928

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

O Álibe do Deslexico Agnóstico.

"Temo que não vamos desembaraçar-nos de Deus porque continuamos a acreditar na gramática..."

Nietzsche

sábado, 30 de setembro de 2006

E o tal coração de tanto bater, bateu as botas:
como um zumbi faz o percurso quarto-cozinha-banheiro dia após dia.

sábado, 23 de setembro de 2006

Os coletivos de arte




(só pra não esquecer de falar depois. ) Posted by Picasa

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Poema não morre eletrocutado

Poeminha Pequenino
Que mal dá pra ver nas linhas
é que nem um passarinho:
Pardal, soneto, rolinha...

Vai pendendo sobre os fios
balançando as perninhas
pula, pia, dá piruetas:
Gaivota ou Andorinha

Quando chega o fim da tarde
ou então o fim das linhas
abrem as asas e voam longe:
Beija-flor, Hai Kai, Pombinha...

E então chega a noite
Fico só eu e a folha limpinha
e essas aves que não avoam:
Capote, Prosa, Galinha...








Para Pedro Yori

domingo, 10 de setembro de 2006

conhecidência

conhecido
por
incidência
de
conhecido








Bruno Raukai Reis
enquanto os outros continuam acontecendo...

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

O triste fim de Policarpo Quaresma

O tempo passa
O tempo vôa
E a poupança Bamerindos continua numa boa











*que me Bruno e Ary me permitam também fazer Hai Kais. :)

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Um silêncio
(entre um acorde e outro)
Um silêncio
(entre uma palavra e outra)

Um silêncio

Entre um pingo e o pingar do outro
Entre um batimento e outro do peito
Entre uma interrogação e um ponto final

Um silêncio que nunca se escuta. Breve.
(o silêncio que se desconhece)
Mas existe, e não é só ausência.


Um silêncio
(um minuto de silêncio - entre um fim e outro findar)

Um silêncio pequeno, que cabe só no pequeno estreitamento do meu peito.
(e ainda assim transborda a tal infinidade)




Um silêncio.





Silencio...

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Para-raios

Me dá colo,
Dá cá...
Que um haio kai sim no mesmo lugar... Posted by Picasa

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

As coisas vem adquirindo um aspecto de acidente: Pessoas ao acaso. Em blogs, praças...Uma cidade pequena. Mas acidente ainda é que de repente essas pessoas-acidentes tem importância. Uma importância-acidente...Um acidente importante?
Mas o mundo não nos dá tempo, e é preciso tempo para confiar, se despir. Vamos assim, de olhos fechados, as cegas. É tudo muito rápido, mágico.
Eu tenho me encantado e encanto sempre tem cara daquilo que acaba a meia noite. E tem sido diferente.

De qualquer forma: eu sempre deixava-os ir embora: como nuvem.
E pela primeira vez que não quero assim. Pela primeira vez é inevitavel forçar um para sempre.


ou um 'infinito enquanto dure'

terça-feira, 1 de agosto de 2006

".... Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. "

Clarice Lispector

segunda-feira, 31 de julho de 2006

felicidades paralelas

O mundo, as pessoas, as histórias. Todos sob o mesmo sol. E era dentro do conjunto das possibilidades que essa duas retas estavam contidas.
Dizem que reta é uma junção de uma infinidade de pontos. Então já não sei se ousaria os chamar de retas ou semi-retas. Que por mais infinitos que os dois fossem eles tinham um começo e um fim. E assim se fizeram analiticamente calculados:

Ela, na sua felicidade barata de ser professora de matemática de uma escolinha particular qualquer. Ele? Físico. Tão exatos que não se permitiam acontecer.
E nunca se encontraram em vida para viver uma grande história de amor.


Mas aprenderam cedo que as paralelas se cruzam no infinito e dividiram covas vizinha, compartilhando os mesmos vermes, pois, o que não sabiam é que o ifinito das semi-retas é apenas o ponto final.



E o conjuto das possibilidades era um conjunto vazio.

"...Não esqueça a escova, o sabonete, o violão"

É, eu sempre escuto coisas do tipo: quando casar sara, sofrimento tem data de validade, pra curar um amor platônico só uma trepada homérica.
E o disco não muda.
Sabe, talvez paciência seja realmente uma virtude mas chega um momento da existencia humana (ohhhhh) que as coisas precisam de uma resolução! Porque tudo tem o tempo certo pra acontecer mas pra NÃO acontecer o tempo é indefinido, tipo ad infinitum.
Aí você consegue alimentar qualquer ilusãozinha rápida.Qualquer coisa que vá te distrair por tempo suficiente para que você esquecer que dói. (tipo quando você tá brincando e se machuca e nem percebe que machucou...)
Você pode também tentar aculpumtura, Yoga, rpg, macumba, natação, rapel, balonismo, masturbação, indie rock.
Qualquer coisa é bem vinda...
E sempre que me perguntam o 'como vai?' eu estou só cansada. E de fato : CANSAÇO!
porque os meus post parecem sempre tão iguais? Acho que é porque eu só escrevo aqui quando tudo explode.

e explodiu. quebram janelas e espalhando estilhaços de vidros blindados...Que vão me machucar mais tarde.




Hit me baby one more time! \o/

domingo, 30 de julho de 2006

de repente você descobre que ainda está vivo.




existe medo.






e encanto.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Agora é tarde: Inês é morta

E você cai na rede: Isca perfeita, ponto fraco exposto.
E agora é isso, assim, que nem medo antigo...




Não combater é uma forma de ganhar quando a maior derrota na frente do outro seria lutar?

sábado, 13 de maio de 2006

Eu costumava colecionar chaves. Talvez para abrir a porta que não tem fechadura.
1:24 da manhã. Qualquer coisa para me ocupar. Espero em vão o meu mais novo foco de expectativas que nem sequer existe! Uma ligação foi suficiente: A preocupação demonstrada, uma possibilidade traçada, uma hora. O suficiente.
1:26 da manhã. A mesma hora de ontem! A velha brincadeira é tão mais cruel do que a velha 'cortada'. Remete verdade...A mesma hora de ontem, você lembra?
Um eco e uma mancha..O que você vai ser daqui a dois minutos?E daqui a dois milenios? O que você vai ser, me diga, se as horas são sempre as mesmas?
1:29 É assim: Ela esperando uma coisa qualquer. Ele(?) esperando qualquer coisa. Um acordo comum. Convenções. Algum tempo que varia (mesmo que o tempo seja sempre o mesmo) e o fim. E nem sequer começou.
1:31 Está tudo na sua cabeça. O estômago dói. Não vai ser dessa vez. Não vão ser das outras também. O que você quer combater nasceu com você. Vai morrer com você.Vai além das metonímias e promessas.
1:33 e nem sequer um minuto passou

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Na minha casa vai ter um jardinzinho para todas as lagartar.futas.borboletas. morarem! E não venha me dizer: ECA! sua casa cheia de minhocas! que nem é assim, tá! :)
é engraçado: É mais de meia noite eu eu estou aqui, atrás de cinema. E de repente eu abro a página de um diretor chamado Krzysztof Kielowski.E o melhor: sinto uma vontade incontrolável de ver seus filmes! Olha só os nomes: Não Amarás, A Liberdade é Azul, A fraternidade é vermelha, a Igualdade é branca.
Aí cê imagina a tristeza que dá: Um filme polonês de 1994. ONDE EU VOU ACHAR NESSA CIDADE? Talvez eu só queira ver porque é o maisunderground de todos (não tem nem foto do filme no Adorocinema.com)!
Mas, vai, é tão bonitinho:" Jovem de 19 anos munido de uma luneta começa a observar a vida da sua vizinha (uma mulher madura), que mora defronte ao seu apartamento. Ele fica obcecado por ela e enquanto observa sua vida sexual (na qual o amor não existe), ele esquematiza subterfúgios para se aproximar dela. Com o tempo ele revela seu amor, mas ela o humilha e algo surpreendente acontece nesta relação."
Será que é tão dificil encontrar esse filme assim? Bah! Eu até procuraria mas amanhã eu acordo e nem lembro mais! afinal, oh o nome do cara.
Vou dormir triste hoje. Que pena! :*









Ps: O melhor são as três únicas críticas sobre o "Não Amarás".As pessoas dizendo que foi o melhor filme que viram na vida. ;~ E se fosse o meu?

domingo, 7 de maio de 2006

é muito feio ficar feliz porque se ganhou um DVD quando a vizinha morreu?Eu sei que o respeito pela morte vem sumindo mesmo, na sociedade, mas é que volta e meia acho que foi até melhor.
Era uma senhora velhinha já! Passava o dia na porta com um deficiente radinho de pilha e já não falava coisa com coisa...Tinha uma cara de cansaço...
E já foi. E os familiares rezam o terço enquanto eu vejo filme.

O final da história?

tantos eles quanto eu estaremos comendo salgadinho com refresco mais tarde.

Mas sempre tem quem sente mais!

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Retrosexo

Menos cinco horas. O pincel apagava as linhas escuras que formavam na tela um desenho que ela ainda não conhecia. Menos três cigarros. Abriu a janela. A gotas de chuva pareciam fazer o caminho inverso.53 segundo voaram no leve tocar das palavras e com mais 7 deles poderia ter mudado a direção dos fatos. Mas não!
Fazia tempo que as palavras não reinavam mais naquele vale: Já não se mudava mais o mundo com letras.
Menos dois cafés. Nessa altura já havia desistido dos pinceis: usava os dedos para apagar o retrato desbotado de um futuro. As formigas subiam em suas pernas, invadiam seu sexo, sua boca, suas narinas. Dormência desconhecida. Menos 20 gramas de pó. Juntava agora todos os cacos de vidro espalhados pelo chão formando um copo. (porque, meu Deus, porque? O absurdo tantas vezes assistido insistia em se repetir. Os ponteiros insistiam em andar no sentido horário. A chuva insistia em molhar os telhados.)Menos três horas. Ela rasgou todas as cartas, pisou em flores, riscou as paredes.Menos quinze minutos.Ela fechara a porta e fitava aqueles olhos antigos prestes a lhe dizer a verdade.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Never Change...
















" He says: when you gonna make up your mind
When you gonna love you as much as I do
When you gonna make up your mind
Cause things are gonna change so fast
All the white horses are still in bed
I tell you that I'll always want you near
You say that things change my dear..."

Tori Amos -Winter


(a pedidos do meu papai, a fonte!)